María Ulecia

Bellus Silvestris
 
Exposição na Código Design, Porto. Novembro 2021
Gosto das ervas daninhas. Identifico-me com elas. Persistentes, crescem uma e outra vez mesmo após serem arrancadas, e se defendem com raízes profundas e até com espinhas se for necessário. Alem disso, parecem-me preciosas, tão especiais como as plantas mais delicadas. 
 
De Janeiro a Abril de 2021, durante o 2º confinamento do COVID-19, cresceram à volta do meu ateliê várias plantas duma variedade que consegui identificar como “Solanum Mauritanum” uma de tantas “ervas daninhas” que os serviços municipais se ocuparam de cortar uma vez tras outra, sem as erradicar de tudo. Comecei trabalhar com elas à par que com folhas de Magnolia, uma das mais belas árvores da cidade do Porto. A similitude na forma das folhas destas duas plantas me fez pensar no injustamente que clasificamos todo e estabelecemos categorias: o bom, o mau, o belo, o feio, o daninho. E como quando as classificamos, decidimos o seu futuro. Categoricamente.
 
Trabalhei as folhas todas por igual, sem pensar se eram boas ou más. Tentei brincar com elas e construir peças nas que a sua presença fosse um contributo à beleza. Igual do que tento fazer com o que me rodeia. Sem classificar, no presente. Sem categorias.